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2ABR2016 - Cinema - Um dia perfeito

2ABR2016 – Cinema – Um dia perfeito

Um Dia Perfeito
Espanha 2015
Um filme de Fernando León de Aranoa

Exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2015, e ovacionado por mais de 10 minutos quando exibido no Festival de Cannes no mesmo ano, este sensacional Um Dia Perfeito (A Perfect Day, Espanha, 2015) é quase que “a perfect film”, se me permitem o trocadilho. Uma produção tão bem concebida e conduzida, que faz de seu pesado pano de fundo, um perfeito contraponto com sua narrativa ligeira, leve, mas não menos pungente.
Ambientado nas Bálcãs, no ano de 1995, no rescaldo da guerra que assolou a região, Um Dia Perfeito centra sua narrativa em um grupo de trabalhadores da ajuda humanitária internacional, e sua luta diária para tentar auxiliar as vítimas sobreviventes do conflito. Em um destes dias de labuta, a equipe liderada pelos experientes Mambrú (Benício Del Toro) e B (Tim Robbins), acaba se envolvendo em uma missão aparentemente simples: Retirar um cadáver de dentro de um poço, para que a população do vilarejo possa utilizar a água do local. No entanto, como em tempos de guerra nada é fácil, a missão acaba se tornando muito mais complicada do que parece.
Extremamente bem dirigido pelo espanhol Fernando León de Aranoa (do estupendo Segunda-feira ao Sol, 2002), esta multicultural produção mistura talentos de diversos países em seu elenco, o que traz ainda mais veracidade ao filme. Além dos já citados Benicio Del Toro (porto-riquenho), e o americano Tim Robbins, o filme ainda conta com as beldades Olga Kurylenko (Oblivion, Promessas de Guerra), que é ucraniana, e Mélanie Thierry (Missão Babilônia) que é francesa, além do bósnio Fedja Stukan (Na Terra de Amor e Ódio).
No afiado roteiro do próprio Aranoa, em parceria com Diego Farias, e baseado no livro da escritora espanhola Paula Farias, cada um destes personagens centrais tem um papel importante na história, e cada um, à sua maneira, influencia o rumo da narrativa e a percepção do espectador. A química do elenco é sublime, e da interação destes protagonistas, Um Dia Perfeito desenvolve suas situações, que beiram o tragicômico, mesmo que em um cenário de tristeza e devastação causadas pela guerra. Tal virtude da produção, permite que o humor esteja sempre presente na narrativa, e tal vértice cômico é sempre utilizado com inteligência por Aranoa e seu elenco, especialmente o sempre ótimo Tim Robbins.
Robbins, ao lado do espetacular Del Toro, são mais do que dois bons motivos para se ver o filme. Com interpretações afiadíssimas, a dupla não só eleva o patamar da produção, como ainda eleva o nível das atuações dos intérpretes à seu redor, transformando Um Dia Perfeito em uma verdadeira aula de interpretação.
Para completar, Aranoa ainda utiliza uma sensacional trilha-sonora, que vai desde Marylin Manson, passa por Ramones, e chega até a diva Marlene Dietrich, interpretando a canção “Where The Flowers Have Gone“, que encerra o filme de maneira simplesmente antológica.
Por ser uma produção tão gostosa de se acompanhar, chega a ser inacreditável que Um Dia Perfeito possa ser considerado um drama de guerra. Mas basta um olhar mais cuidadoso na produção para se enxergar todas as mazelas do conflito, suas barbaridades, tristezas e peculiaridades, todas derramadas com estranha beleza e humor velado por Aranoa e seu primoroso elenco. Um Dia Perfeito faz do cotidiano da guerra, um paralelo com o cotidiano de seus personagens centrais, pessoas que abandonam suas vidas e seus laços em troca de uma esperança de paz.
Pois em tempos de guerra, um dia perfeito é apenas, um dia comum.



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