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Princípios básicos que regem a publicação de Artigos

Esta página dedicada a Artigos foi criada para permitir aos associados da Fábrica de Alternativas a livre expressão do seu sentir e as opiniões expressas não comprometem a Fábrica de Alternativas no seu todo. A liberdade de expressão e opinião é um apanágio da Fábrica de Alternativas onde a característica é a não-conformidade com a norma, a recusa de submissão a padrões ideológicos, morais, religiosos ou outros, a liberdade de crítica e de criação e o respeito absoluto pelos direitos e liberdades dos indivíduos.

Os conteúdos são decididos pelas pessoas que se disponibilizam a colaborar com esta página desde que os referidos conteúdos respeitem os seguintes princípios:

  • Não serão tolerados ataques pessoais,
  • Quaisquer apologia de ideias, sistemas ou credos contrários à dignidade do ser humano não serão tolerados, como sejam o racismo, xenofobia, sexismo, homofobia, etc.
  • Não serão permitidos textos anónimos, todos os textos devem ter menção do nome real do/s autor/res. Quanto aos textos colectivos deverá também ser mencionado o nome do colectivo que o redigiu, ou dos seus membros.

Qualquer artigo de opinião publicado nesta página é da exclusiva responsabilidade de quem os assina. A Fábrica de Alternativas declinam quaisquer responsabilidades sobre informações incorrectas, ou outras falhas de conteúdo.

Ciclo de cinema de Abril 2019

O ciclo de cinema de Abril da Fábrica de Alternativas é dedicado ao cinema japonês de agora. O ciclo inicia-se com o filme ‘Despedidas’ (2008), de Yojiro Takita, no dia 4, prossegue com ‘Assunto de família’ (2018), de Kore-Eda Hirokazu, no dia 11, e termina com ‘A enguia’ (1997), de Shokei Imamura, no dia 18.
No dia 25 de Abril, exibimos o filme ‘Outro país’ (1999), de Sérgio Tréfaut.

Observatório da Guerra e do Militarismo

Um grupo de pessoas reunidas durante o evento sobre o anti-militarismo que aconteceu no passado sábado dia 26 na Fábrica de Alternativas tomou a iniciativa de iniciar a criação de um Observatório das guerras e do Militarismo com a ideia da promoção da Paz.

Somos um grupo de cidadãos/ãs, que tem vindo a trabalhar na construção de um autêntico movimento pela paz. 

Não nos consideramos a nós próprios/as, nem a ninguém,  com um direito especial para falar da paz, ou do pacifismo, ou da militância contra a guerra e o militarismo. 

Sabemos que existem, na sociedade, diversos conceitos e formas de estar em relação a estes assuntos. Trata-se de construir forças e não de separar. 

O objectivo imediato do Observatório é o de fornecer – de maneira regular – informação fidedigna, verificada pelo colectivo, que permita um fácil acesso à informação sobre estas questões da guerra e da paz. É nesta perspectiva que criámos e que estamos sempre melhorando o nosso sítio Internet e todos os instrumentos de comunicação que usamos ou viermos a usar.

  A nossa concepção de um grupo desta natureza é de que as pessoas individuais, membros do nosso colectivo, têm todo o direito a terem as suas opções próprias, nos planos político e ideológico, em particular, desde que compatíveis com uma cultura de paz. 

A base de acordo do nosso colectivo assenta nos pontos seguintes:

– A convicção profunda de que não há boas «soluções» armadas, ou seja, que estas não são solução nenhuma para os conflitos, quer entre Estados, ou dentro de um mesmo Estado (guerra civil)

– A convicção profunda de que um desarmamento das diversas potências mundiais ou regionais e alianças respectivas, é importante e urgente; que merece a mobilização dos povos para pressionar os governos e outros órgãos de soberania nesse sentido.

– Desejamos o diálogo com todas as pessoas; também com aquelas cuja opinião é sensivelmente diferente da nossa, pois a paz constrói-se no respeito de todos. 

– O Observatório tem como vectores principais de actividades:
a) dar informação objectiva sobre as guerras em curso (ou passadas),
b) dar informação sobre questões geo-estratégicas e não somente militares,
c) acolher opiniões de pessoas ou entidades sobre estas temáticas,
d) animar e participar em debates em torno destas questões, quer pelo nosso colectivo, quer por entidades que se proponham fazê-lo.

Os membros deste colectivo podem participar noutras estruturas e organizações. Eles/elas só são obrigados/as a respeitar os acordos estabelecidos e voluntariamente aceites no interior deste colectivo. A adesão ao colectivo é inteiramente livre e voluntária. A adesão de novos membros, bem como todas as outras questões da actividade do colectivo são examinadas e as decisões tomadas conjuntamente pelos seus membros, segundo os métodos da democracia directa. Quaisquer pontos que se considerem de futuro, serão acrescentados e incorporados a esta base de acordo, pelos membros.

A quem nos desejar visitar estamos aqui: ogmfp.wordpress.com

Ciclo de Fevereiro de 2019 – Cinema alemão de agora

O ciclo de Fevereiro de 2019 é dedicado ao cinema alemão mais recente. O primeiro e último filmes, Hanami – Cerejeiras em flor e Fukushima, Meu Amor, a 7 e a 28 de Fevereiro, respectivamente, foram realizados por Doris Dörrie. Pelo meio, Phoenix, de Christian Petzold, a 14 de Fevereiro, e Contra a parede, de Fatih Akin, a 21 de Fevereiro. Todos, de realizadores premiados.

Direitos Humanos primeiro! Justiça igual para todos!

Os sistemas ISDS e similares ameaçam perigosamente os Direitos Humanos e o Ambiente.
A campanha europeia “Direitos para as Pessoas, Regras para as Multinacionais“ visa pôr fim a estes sistemas para que o comércio internacional se torne mais justo e sustentável.
Apelamos a que assinem a seguinte petição ou no site da TROCA https://www.plataforma-troca.org/stop-isds/.
Apelamos também a que divulguem esta petição em prol dos Direitos Humanos e do Planeta.

Uma pérola em Algés chamada RePlaneta

O nº 37 da rua de Olivença de Algés (rua das Finanças de Algés), que já foi a pastelaria Pérola de Olivença, alberga agora uma nova pérola, de nome RePlaneta, um espaço muito bonito e acolhedor, onde podemos adquirir produtos alimentares e outros (por exemplo, detergentes) a granel.  

Os produtos alimentares não são sempre biológicos mas são cuidadosamente escolhidos.

O RePlaneta (https://www.instagram.com/replanetaa/) é seguramente um espaço onde podemos consumir de forma muito menos agressiva para o planeta Terra. Ah! E o atendimento é cinco estrelas. Espaços assim devem (têm) de se acarinhados!

Flotilha da Liberbade a caminho de Gaza

A Fábrica de Alternativas recebeu no dia 21/06 parte da equipa que integra a chamada “flotilha de Gaza” que partiu da Suécia Al-Awda (“The Return”) e Noruega (Kaarsten) em direcção à Palestina, numa tentativa de furar o bloqueio.

 

 

Partida da Flotilha da Liberdade do porto de Cascais no dia 22/06 às 07:00:

 

No dia 11 de Julho os dois barcos atracaram no porto de Nápoles.

Podemos seguir a rota dos barcos e a sua localização actual em:

https://jfp.freedomflotilla.org/follow-the-mission

 

Página do Facebook e Instagram:

https://www.facebook.com/FreedomFlotillaCoalition/

https://twitter.com/GazaFFlotilla

 

Está agendada para o próximo dia 13 de Julho uma pequena apresentação sobre o ponto de situação da viagem da flotilha por Gaza.

Apresentação Cadernos Selvagens

 

As duas próximas sessões de cinema serão dedicadas ao Conflito israelí-palestino, com os documentários/filmes por anunciar.

 

 

Boa viagem flotilha e que consigas furar o bloqueio e muitas consciências pelo caminho.

Frederico Paulo

Chi-Kung Para Todos !

É JÁ AMANHÃ no Espaço Be.Live !! 29/5 – 18h30
Aula Aberta (free) de CHI KUNG

Mobilize para dentro de si, como sistema aberto que é e em cooperação com o Cosmos, mais Saúde, Vitalidade, Positividade e Ânimo.
Ao Cuidar de Si, estará mais Pronta/o para Viver Melhor e até Cuidar de Outros.
Além do que, sendo cada Ser Humano Recetor e Emissor, tudo o que Irradiar vai Atrair. Apareça e experimente !

Contribuição: entrada livre (free)
Av. Fontes Pereira de Melo, 29, 3º Lisboa (z. Picoas)
INSCRIÇÃO (obrigatória) msg privada Facebook, e-mail coracao7cosmico@gmail.com ou Sms +351 966 608 766

Para mais informação consulte www.coracaocosmico.com
Mª Emília Borges

Tudo a que o ser humano inquestionavelmente se propõe
É lido pelo cosmos e contribui para o seu caminhar.

Sorteio do Pássaro Alberto

Decorreu no Domingo dia 20 o sorteio do “Pássaro Alberto” uma obra gentilmente oferecida à Fábrica de Alternativas pela artista e nossa amiga, a ceramista Alice Diniz. O sorteio decorreu dentro da maior normalidade e, em virtude de o Sr. Presidente da Republica, que tínhamos convidado para o realizar tenha preferido ir para os futebois lá para os lados do Estádio Nacional, socorremos-nos da Avó Lúcia que meteu a mão no saco e retirou o nome da Feliz contemplada. Assista ao video.

Adeus Alberto e que sejas muito feliz na tua nova casa.

Liberdade em Segurança ou Segurança sem Liberdade

Liberdade em Segurança

A Junta de Freguesia de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada/Dafundo escolheu, para a Mostra Social 2018, a realizar-se nos dias 18, 19 e 20 de Maio no Parque Urbano de Miraflores, o tema “Liberdade em Segurança”. A Fábrica de Alternativas aceitou a mais um vez estar presente e a levar ao local algumas das suas actividades.

Como me parece que o tema escolhido é muito relevante e para que o mesmo não se esgote em discursos populistas e redutores de uma realidade mais vasta, pareceu-me boa ideia iniciar o debate sobre o mesmo com uma outra visão mais abrangente.

Assim, começo com um excerto de um texto escrito por Pedro Norton na Revista Visão em 2015.

“A dicotomia liberdade / segurança é uma questão debatida desde sempre em política (ou pelo menos desde que há liberdade em política). Dito de outra forma, a segurança sempre foi usada como pretexto para cercear liberdades dos mais variados tipos. É assim em todas as repúblicas das bananas com os exemplos clássicos dos aprendizes de ditador que decretam e prolongam ao absurdo estados de emergência que mais não são do que fantochadas legais para concentrar poderes e eliminar as inúmeras maçadas políticas que as liberdades individuais sempre geram. Nos casos limite inventa-se uma ameaça externa, uma conspiração interna, e decreta-se o fim de todos os pilares de uma sociedade demoliberal: a separação entre o poder executivo e judicial, a liberdade de expressão e de imprensa, e todos os outros atropelos que queiram imaginar.

Infelizmente esta questão não se limita a ser suscitada por generais Tapiocas mais ou menos grotescos. No mundo ocidental, democrático e liberal, é preciso ser-se muito distraído para não se ter dado pela polémica dos atrozes abusos cometidos pelos próprios Estados Unidos em Guantánamo, a propósito da luta contra o terrorismo. No mundo ocidental, democrático e liberal, é preciso ser-se muito distraído para não se ter dado pelas polémicas de estilo wikileaks. Em nome vá lá saber-se do que ameaça, chefes de Estado ocidentais, escutam aliados e amigos com uma naturalidade e uma impunidade de pôr cabelos em pé.

Pois bem, reconhecendo que estamos perante um clássico trade-off, não menosprezando a ameaça real do terrorismo global, confesso-me um fanático da liberdade. Entre os dois polos, entre a segurança e a liberdade, o meu coração penderá sempre para o segundo.”

A cada dia que passa os “médias do poder”, jornais, rádios e televisões pertencentes a grandes grupos económicos, disseminam o medo e muitas vezes a mentira. Vivemos no mundo da comunicação instantânea onde o limite entre verdade e mentira não existe. Cada um defende as cores dos seus interesses e o que para uns é patriotismo outros chamam terrorismo. Não há bons e maus. O medo é incutido e exacerbado e é através do medo que é possível restringir todas as liberdades. Os actuais meios electrónicos espiam cada coisa que fazemos, cada texto que escrevemos, cada conversa que temos. A privacidade não existe em nome da segurança e os nossos direitos legalmente consagrados são apagados de um momento para o outro. Medo a palavra que em nome da segurança é utilizada para matar a liberdade.

Talvez seja impossível viver em liberdade e segurança num mundo onde a conquista do poder a qualquer custo, a dominância e a pilhagem são a lei natural. Mas não é só ao nível global que essa filosofia pode ser utilizada. Também ao nível local, criando guetos, grupos de pobreza e miséria, se consegue justificar mais policia, mais músculo e um maior controlo da mobilidade pública. Também é pelo medo dos grupos anarquistas que se conseguem justificar a violência sobre manifestações pacíficas e se calam protestos justos. É com a segurança que se justificam exércitos e policias mais bem equipados e armados. É com a segurança que se justifica que cada dia sejamos menos livres e mais vigiados. E a liberdade? Essas, já há muito que os agentes medo decidiram que pode e deve ser substituída pela segurança. Isso, se todos aceitarmos ter medo.

João Pestana

Petição – PELO DIREITO AOS CÃES DE ANDAREM SEM TRELA

PELO DIREITO AOS CÃES DE ANDAREM SEM TRELA EM ESPAÇOS PÚBLICOS

O “Homem” na sua hegemonia considera-se com o direito de condicionar o direito de todos os outros animais e até da própria natureza. Ocupamos o espaço onde livremente viviam, escorraçamo-los, muitas vezes até ao ponto da sua extinção, simplesmente porque temos esse poder. Ao longo dos tempos mais áreas ocupamos e menos espaço é deixado para os outros seres vivos.

Nas nossas cidades só os pássaros, ratos, baratas e outros insectos conseguem viver com alguma liberdade. Outros, os considerados animais domésticos, podem coexistir connosco mas como seres de segunda e sem quase terem direitos. Os que lhes são consagrados existem mais para garantir que não atrapalham a vida dos humanos que para o seu bem-estar. Os gatos normalmente vivem encerrados dentro dos apartamentos e por isso “não incomodam”. Já os cães são animais que, pelas suas características, necessitam de atenção e cuidados. Ter um cão é uma responsabilidade para o dono e exige trabalho e dedicação. Um cão deve ser “ensinado” desde pequeno e se assim for é um amigo leal que não causa problemas nem distúrbios. Outros há que são mal-educados, agressivos e até perigosos, mas essas são certamente também as características dos seus donos. Mas, os donos podem sê-lo e não se lhe coloca uma trela e um açaimo,  podem continuar a ir ao jardim, passear-se na rua, urinar e escarrar nos passeios, criar confusão, incomodar os outros e até muitas vezes serem violentos. Os cães não, esses têm de ser mais bem-educados que qualquer criança, tem de ter um comportamento exemplar. A eles tudo é exigido e proíbe-se a sua presença porque a criança pode ter medo do cão mas não se proíbem atitudes e comportamentos aos humanos que criam medo ao cão. O cão tem de aprender a relacionar-se com os humanos mas estes não fazem o menor esforço nem consideram necessário fazer nenhum para compreenderemo comportamento dos animais. Quem tinha mais obrigação, por se considerar um ser inteligente e superior, exige mas não se dá ao trabalho ou o consegue fazer.

Um cão que vá passear à rua é obrigado a ir de coleira e trela, mesmo que seja um cão bem-educado, amistoso e bem comportado. Em alguns casos pode até ser o comportamento adequado já que evita que possa ser atropelado. O mesmo já não se entende quando se chega a um parque ou a uma praia. Para um cão ser mais calmo, mais obediente e mais dócil ele necessita de socializar com homens e animais e também de gastar energias correndo em liberdade. Mas não pode. A lei não lhe permite. São seres inferiores que não queremos que nos incomodem. Podem levar a criança a quem permitem que fique a fazer birras, asneiras, a sujar e a fazer o que lhe apetece mas o cão não pode. Podem ir os jovens que falam alto, colocam rádios aos berros, mas os cãos não podem nem latir. Os cães têm de estar presos, calados e muito quietos.

Os nossos cães precisam de poder correr e brincar. Proibir-lhes esse direito é retirar-lhes o direito a serem saudáveis e felizes.

Pelo direito a um espaço público para os nossos amigos possam andar em liberdade, propomos que os cães, sempre que acompanhados pelos donos, possam andar sem trela em locais públicos. Aos donos fica a responsabilidade de garantir o bom comportamento do cão, a limpeza dos seus dejectos e o pagamento de qualquer estrago que possam fazer. Os donos devem possuir um cartão, a ser emitido pelas Juntas de Freguesia, que garantam que os cães estão legalizados e possuem todas as vacinas obrigatórias.

Assina a petição aqui: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT89099

João Pestana

TERCEIRO-MUNDIALIZAÇÃO DE PORTUGAL

http://manuelbaneteleproprio.blogspot.pt/2018/03/terceiro-mundializacao-de-portugal.html

TERCEIRO-MUNDIALIZAÇÃO DE PORTUGAL

A natureza e origem dos postos de trabalho perdidos e criados num país, dá uma medida MAIS exacta do que se está a passar, muito mais do que o simples cômputo dos números totais de emprego e desemprego.

No caso português, vem-se notando uma transformação qualitativa do emprego: o emprego permanente, com garantias de permanência no posto de trabalho, com perspectiva de uma carreira dentro da empresa tornou-se uma quase miragem para a grande maioria dos jovens que alcançam a idade de entrada no mercado de trabalho.

As jovens gerações são empurradas a emigrar (veja-se as declarações cínicas de Passos Coelho, não há muito tempo atrás: já antes de tais declarações, a realidade era mesmo de incentivar a emigração dos jovens!). Temos hoje em dia uma das maiores diásporas científicas no mundo se a medirmos na proporção da pequenez numérica da nossa população autóctone.

A juventude que aqui permanece e procura emprego, apenas consegue trabalho precário, mal remunerado, sem garantias de estabilidade, sem perspectivas de melhoria.
Este modelo de super-exploração da mão-de-obra assalariada convinha às mil maravilhas ao patronato português tradicional, acanhado e mesquinho, modelo esse que serviu para trabalho pouco especializado, que não implicava maior qualificação que os nove anos do ensino obrigatório. Esta situação manteve-se, mas a qualificação dos jovens portugueses foi aumentando rapidamente e agora estão mesmo acima da média dos vários países «desenvolvidos», em termos de diplomas e de qualificações.

O modelo mais comum, pelo menos para os jovens, é o de contrato de trabalho ultra-precário é até ilegal, pois as empresas atribuem perto de 100% dos postos de trabalho ao emprego precário, a contratos a prazo, sendo apenas aceitável pela lei que uma empresa recrute trabalhadores a termo certo, quando a natureza do trabalho é temporária ou quando têm de fazer face a um acréscimo temporário do trabalho. É ilegal, mas o patronato está tranquilo porque a inspecção do trabalho fará «vista grossa» ou só se irá mover se ela própria for sujeita a «pressões superiores». Está a este nível o estado de corrupção das estruturas de fiscalização do trabalho e da economia em geral.

Se tal precarização «cientificamente» delineada, foi aconselhada aos governantes por ilustres doutores da treta (spin doctors) do FMI, Banco Mundial, etc. e seus «epígonos» nacionais, não se tratou – com certeza – de um conselho desinteressado.
É que os grandes grupos económicos, sobretudo no sector terciário, têm interesse muito concreto em recrutar uma mão-de-obra dócil, maravilhada por trabalhar ao nível de um gigante como a «Google» ou um grande banco entre os dez maiores ao nível mundial. Por mais pomposos que sejam os títulos de postos de trabalho para os quais os nossos brilhantes jovens forem recrutados, o facto é que estarão muito em baixo na hierarquia, sem grande hipótese de fazerem carreira. No fundo, são empregados de «call-center», com maior ou menor prestígio associado a seu posto, mas sem real futuro. Tal já ocorre há muitos anos com os call-centers e outros centros deslocalizados em países do Terceiro Mundo (Índia, Paquistão, etc,etc) onde, por uma pequena fracção do ordenado de um empregado da «metrópole», os empregados resolvem quase tudo aos clientes, eles também deslocalizados, que poderão estar telefonando de Nova Iorque, Tóquio, Istambul, Estocolmo ou Lisboa.

Que continua o regabofe da utilização dos nossos jovens mais brilhantes para quadros subalternos das grandes multinacionais, de vários sectores dos serviços, a começar pela grande banca internacional, das redes sociais, da informática, mas também de estruturas mundializadas do turismo, não há a menor dúvida.

O que é confrangedor é que as pessoas dêem como crédito positivo a este governo, o facto de Portugal ter um índice de atractividade dos negócios essencialmente pelos baixos salários, pela mão-de-obra qualificada que se oferece para trabalhar em competição directa à mão-de-obra dos outros países da «periferia», ou seja: somos, na prática, mais um país do Terceiro-Mundo, explorável e dominável a preceito, apenas com a «distinção» de estar situado a Europa, com assento na NATO e na União Europeia. «Estamos na EU» mas sem qualquer preocupação de equidade, justiça, respeito pela lei (laboral), consideração por quem trabalha…
Costumo dizer que, nas últimas décadas, Portugal é o paraíso para o patronato mais perverso, mas predador… Aqui, ele pode desenvolver seus negócios de mui dúbia legalidade, na maior das impunidades.

O excerto abaixo é apenas uma ilustração pontual do que descrevi acima:

Retirado do Diário de Notícias de 12-03-2018:

https://www.dn.pt/dinheiro/interior/grandes-bancos-emagrecem-estrangeiros-contratam-barato-9179040.html

Além da redução da rede de balcões e do número de trabalhadores, os bancos estão agora também a apostar na contratação de serviços de outsourcing. “Em 2017 agravou-se a tendência de os bancos substituírem trabalhadores qualificados, de meia-idade, por trabalho em outsourcing, frágil, desregulamentado, barato e não suscetível de criar relações para o futuro”, denuncia Paulo Marcos.
O cenário da banca só não é mais negro porque muitas instituições estrangeiras estão a recrutar pessoal. BNP Paribas, Natixis, BAI, BAE e Bankinter são alguns exemplos. “Portugal é um país muito atrativo para os bancos estrangeiros instalarem centros de competência”, afirma Paulo Marcos. O Natixis tem um centro de excelência de tecnologias da informação no Porto e vai contratar mais 300 trabalhadores até ao fim de 2019, além dos 300 que já recrutou. O BNP Paribas emprega já 5000 trabalhadores em Portugal. Razão? Boas qualificações e salários baixos.

TIROTEIO NA FLORIDA – MEDITAÇÃO – MAKE IT RAIN

 Por Manuel Banet Baptista, 15 de fevereiro de 2018

TIROTEIO NA FLORIDA – MEDITAÇÃO – MAKE IT RAIN

MEDITAÇÃO
 
Nos EUA – Florida, mais uma vez, um jovem sem apoio, sem família, sem cuidado torna-se – num instante – o vector dum massacre. 
Quantas e quantas vezes vemos/ouvimos histórias aterradoras de tiroteios em escolas ou outros locais públicos nesse país, a tal «Indispensable Nation»? 
– Insistir em não ver o problema que está na raiz dos massacres, ou seja, a profunda disfunção social, que envolve perda de referências dentro da família, ou famílias desestruturadas? Querem ignorar o facto essencial de se tratar de uma sociedade em que se acha «ok» que quem não paga seguro, não tenha direito a uma assistência e apoio na doença?
– Sociedade e governantes sem compaixão verdadeira, sim, são responsáveis pelas guerras distantes e pelos sucessivos episódios de massacres «ao domicílio»… Mas, claro, é muito mais conveniente «culpar» o instrumento do crime … pelo crime!
Todas as facas deveriam ser banidas! Há muitos crimes em que são usadas facas! Se não é assim, porque razão querem banir o porte de arma legal? 
Será para prevenir o crime? Ou o objetivo é …outro!?

ED SHEERAN – MAKE IT RAIN

Da escuridão e do que ela encerra

Saiu de casa envolta na escuridão da rua. As luzes tardavam a iluminar a cidade naquela tarde fria de fim de Outono. Eram 6 da tarde e já tão escuro. Ansiava pela Primavera e pela sua cor morna.

Não sabia o que a levava a sair de casa sozinha, sem encontros marcados, mas saía sempre. Talvez porque as paredes do quarto onde morava se estreitavam ao cair do dia. Um dia vão esmagar-me, estas paredes. E saía. Saía sempre àquela hora, quando também os dias ficavam mais estreitos.
Nunca nada era muito diferente naqueles passeios, mas aproveitava-os para dar voltas aos pensamentos.
Essa tarde ia ser diferente. Mais do que apenas passear, apeteceu-lhe oferecer-se um jantar num restaurante e havia de ser num daqueles caros, com vista para o rio, onde os empregados vêm buscar os clientes à porta e os tratam por Dr. Isto, Engº aquilo. Havia de ser num desses. Naquela tarde cedeu ao impulso consumista e mimou-se. Sozinha, mas era um mimo que lhe apetecia, naquela tarde.
Pediu uma mesa à janela para não perder a parte melhor da refeição. A vista sobre a cidade e o rio. Ali podia perder-se nos pensamentos e deixar para trás as paredes do quarto.
Pediu vinho tinto. Só bebia vinho tinto, mas hoje queira um especial. O empregado trouxe-lhe um Dão Reserva e, quase com uma vénia, deitou-lhe uma pequena porção para que degustasse. E esperou, como manda a regra, de garrafa em punho com o rótulo virado para ela, enquanto esperava pelo veredicto. Está muito bem, obrigada, pode servir.
Acendeu um cigarro e sentiu-se importante. Talvez a pessoa mais importante que ali estava, naquela noite. Num relance olhou as pessoas à sua volta. Nos seus passeios diários mal olhava com quem se cruzava, mas ali sentiu curiosidade em observar como se comportavam. A paisagem podia esperar.
À sua frente, uma mesa com um casal jovem. Olhavam-se como se fosse a primeira vez que estavam juntos. Provavelmente era… tímidos, mas cúmplices e apaixonados. Assim parecia.
Lembrou-se da primeira vez que vivera algo semelhante. Tímida, cúmplice e apaixonada. Passavam já largos anos.
Num impulso levantou-se e acercou-se do tal casal. A sua expressão era neutra, sem qualquer tipo de emoção aparente.
Estão apaixonados? O casal olhou-a, estranhamente sem surpresa, e responderam que sim. Estamos, muito.
Então saiam daqui. Vão-se embora. É tudo mentira. O que estão a comer, a paisagem que estão a ver, os olhares que trocam, é tudo ilusão, tudo falso.
A mulher perguntou-lhe, É por isso que está aqui sozinha?
E que outro motivo haveria? Claro que sim!
Voltou à sua mesa, acendeu outro cigarro. O casal desaparecera, como se nunca tivesse estado ali. Pediu a conta e deixou a refeição intacta. O vinho, esse bebeu-o até ao fim da paisagem.

Chegou a casa, depois de bebida toda a paisagem. As paredes do quarto já não estavam tão estreitas quanto as havia deixado, mas ainda havia algo perturbador.
Pensou no Dão Reserva que sorvera até ao fim, pensou na tal paisagem, pensou no casal que, eventualmente, nunca lá tinha estado, naquele restaurante. Pensou. Apenas.
O gato miava como que a reclamar tanto tempo de ausência, mas nada que meia dúzia de afagos e reforço de ração não colmatassem.
Pensou nos livros que tinha por ler à cabeceira. E eram tantos. Tantos que deixara acumular no vazio dos dias… era altura de os resgatar, um a um.
Olhou para cem anos de solidão, mas não era ainda o dia. Solidão era o que já sentia há muito. Solidão de pessoas, solidão de palavras, solidão de mar e de amar. Não era tempo. Não ainda.
Pensou em amor em tempos de cólera. Também não era altura de se rever.
Em baixo da pilha de livros, uma pontinha sem nome chamou-lhe a atenção. Talvez possa ser esse, talvez…
O Saramago, o José, estava ali, à espera, num ensaio cego a querer ser relido. Entre o filme e o livro e vice-versa, parecia-lhe que a chamava de novo. Talvez fosse esse. Outra vez esse.
O Dão ainda lhe corria nas veias e a paisagem, essa, ficaria sempre acompanhada do tal casal que exalava mentira por todos os poros.
Talvez fosse apenas dormir com o gato enroscado no sovaco, como de costume.

Agastavam-na certos amanheceres sem sol que, invariavelmente, auguravam dias de se perder em memórias inúteis. Nesses dias gostava de escrever. As palavras iam saindo em jorros de tinta, rápidas, muitas vezes sem nexo, misturando as mais variadas emoções. Naquele dia não seriam suficientes para o desabafo que precisava.
Resolveu sair, guiada pelo instinto que já sabia de cor os passos que a haviam de levar à esplanada do costume. O corpo pedia cafeína, como sempre em todas as manhãs. Mesmo que não houvesse sol, o café havia de aquecê-la e animar-lhe o resto do dia.
Passou os olhos pelo jornal e num virar de página pareceu-lhe ver um rosto familiar. Relevou, que afinal ia ali todos os dias e rostos familiares eram quase todos. No entanto, e noutro voltar de página, aquela figura tornou a chamar-lhe a atenção. Não era ali habitual e isso fê-la tornar o olhar mais atento. Sim, era ele, o homem do casal do restaurante. Afinal tinha estado lá. Não era apenas a sua imaginação. Era ele.
Então pensou nas palavras que lhes tinha dirigido, naquela noite, e sentiu-se corar. Não de vergonha mas de espanto. Tinha-lhes dito coisas horríveis e eles pareciam tão apaixonados, naquela noite. Como tinha sido capaz de ter dito aquilo? Mergulhou a cabeça no jornal e desejou ser invisível, com a promessa de que não tornaria a beber vinho do Dão. Só podia ter sido do vinho. Dizem que certas desinibições são causadas por certos teores de álcool… deve ter sido isso, que ela não era dada a certo tipo de abordagens, muito menos a desconhecidos. Agora sim, começava a sentir uma ponta de vergonha e enfiou ainda mais a cabeça no jornal.
Foi então que sentiu alguém aproximar-se e ouviu, num relance, dizerem-lhe quase ao ouvido, – Afinal tinha razão. Era tudo mentira.
Lentamente, levantou os olhos do jornal e olhou para ele, tentando o seu ar mais descomprometido.
– Desculpe?
– Sim, naquele restaurante, não se lembra?
Pensou se haveria de lhe dizer que sim, ou se disfarçaria com um típico «deve estar a fazer confusão, não era eu». Mas também isso ia ser mentira e enfrentou-o olhos nos olhos.
– Sim, lembro-me bem. Lamento que assim fosse.
– Não lamente, estou-lhe grato. Não imagina o quão grato lhe estou. Só me apercebi da mentira quando a vi ir-se embora e dei por mim sozinho, com uma taça de vinho na mão, a olhar para a paisagem. Era Dão Reserva, a propósito.
Pelo menos sabe escolher o vinho, pensou ela enquanto o via afastar-se, sem mais conversa.

https://nanarebelodetox.blogspot.pt/

Do cadeado e da sua morte

Superar, ultrapassar os limites, ser forte, ser mais forte, sorrir, abraçar, amar, amar-se. Estes são os slogans que encontramos ao virar de uma qualquer esquina virtual, no percurso da nossa vida.
É curioso como é fácil banalizar a força interior que cada pessoa possa ter, como se de uma qualquer receita se tratasse. Este é o poder das redes sociais, aquilo que eu chamo o muro das lamentações do século XXI. Um autêntico prêt-a-porter de emoções.
O passar de páginas inteiras com comentários tipo anúncio, do género «se eu não gostar de mim, quem gostará?» ou, «só sabes a força que tens quando mais nada te restar senão ter força». Podia ficar por aqui com um sem número de exemplos semelhantes, mas a redundância não é a minha figura de estilo favorita.
Pergunto-me diversas vezes, o que procuram as pessoas numa rede social? O que as move na decisão de criar uma página pessoal no meio tão inóspito que é a Internet? E digo inóspito porque é minha convicção que o é de facto. A Internet não é o nosso bairro, a nossa escola, a nossa família, os nossos amigos. A Internet é o mundo inteiro, a praça pública da aldeia global, onde todos se podem permitir dizer tudo o que lhes vai na alma, onde todos podem assumir uma qualquer personagem, onde todos podem saber tudo o que cada um quiser mostrar, literalmente, onde todos podem criticar, ser criticados, sem apelo nem agravo, onde espreitam perigos de toda a espécie para os mais incautos. Querem um meio mais inóspito que este? Mas atenção, mea culpa, que eu também faço parte do grupo e gosto!
Voltando à questão, o que as move, o que faz com que exponham a sua vida, por vezes ao mínimo detalhe, num sítio assim?
Lembro-me do tempo sem telemóveis, sem Internet, onde tudo acontecia como e onde tinha de acontecer, sem que o mundo inteiro soubesse. As acções ficavam no seio de quem as praticava.
Nesse tempo corria-se menos, falava-se mais, lia-se mais, escrevia-se mais. E este é o ponto, para mim, fulcral de toda esta conversa. Escrevia-se mais. Escreviam-se cartas, de amor e das outras, escreviam-se postais ilustrados das férias para enviar aos amigos, à família. Também se sentia a solidão, também se escolhia um amigo para desabafar as mágoas, mas, sobretudo, existia uma coisa chamada diário que servia de repositório de emoções, ao mesmo tempo que se descreviam os acontecimentos que as desencadeavam, ou vice-versa.
Eu nunca tive nenhum, embora sempre tivesse esse desejo. Lembro-me de os ver nas montras das papelarias, lindos, maiores ou menores, mas sempre com um cadeado e ficava fascinada. Para mim esse era o grande mistério dos diários: o cadeado! – Porque têm um cadeado, Pai? – Porque ali se escrevem coisas pessoais, coisas que só dizem respeito à pessoa que escreveu e que não se quer que mais ninguém leia.
Naquela altura, a resposta do meu Pai ainda aguçou mais a minha fantasia. Eu tinha de ter um diário. A vida não era fácil e as hipóteses de ter um, daqueles com cadeado, era remota, por isso improvisei. De um caderno escolar novinho em folha, fiz aquele que seria o meu 1º diário. Colori a capa, colei uns bonecos e acrescentei uma fita de ráfia que atava sempre, cuidadosamente, após cada acontecimento que ali descrevia. Era o meu cadeado e eu acreditava que era tão inviolável como os verdadeiros.
Hoje, sabemos, esse mistério fascinante morreu. Acabaram-se os segredos, tão nossos, acabaram-se os cadeados, improvisados ou não.
Mas aquilo que o meu Pai me disse naquela altura «Porque ali se escrevem coisas pessoais, coisas que só dizem respeito à pessoa que escreveu e que não quer que mais ninguém leia.», nunca me saiu da cabeça. Continuo a tentar perceber porque tudo isso acabou. E vou descobrindo, aos poucos.
Sem querer cair em lugares comuns e psicologia de cordel, acabou do mesmo modo em que as crianças deixaram de brincar na rua com os amigos; já não jogam aos «polícias e ladrões» nem ao berlinde, nem ao peão. Deixaram de esperar que as mães os chamassem para ir lanchar, que depois sempre podiam voltar à brincadeira. Passaram a “barricar-se” nos respectivos quartos a jogar consola e a comer as sandes ao mesmo tempo, atabalhoadamente, para não perderem “vidas” nos jogos. Deixaram de brincar com os amigos de sempre, deixaram de socializar, de dar o 1º beijo às escondidas atrás de um arbusto qualquer.
Começaram a crescer à frente do monitor de um computador, deixaram as consolas e começaram a namorar à distância, que o 1º beijo, esse chegaria de uma qualquer maneira bizarra, sem aquela atracção de antes, mas com a mesma curiosidade do proibido, tantas vezes decepcionante.
Assim têm vindo a crescer várias gerações, que hoje são pais e adoptaram precisamente o mesmo estilo de “convívio”. É o progresso, dizem, fazer o quê? Adapta-te ou morre…
E foram-se perdendo valores, como quem não quer a coisa. Perderam-se os amigos reais e ganharam-se milhares de “amigos” virtuais. Agora contam-se os amigos das redes sociais, quantos mais melhor (?) e diz-se à boca cheia que se é amigo do Brad
Pitt ou de uma qualquer outra estrela. E vai-se alimentando assim a auto-estima.
E depois, quando finalmente se desliga o computador, vai-se dormir a pensar em que frase bombástica se há-de iniciar a nova sessão. Ler? Só se for para retirar alguma ideia passível de aprovação no próximo post.
Mas a próxima sessão tem imensos desafios e a adrenalina sobe quando se vão vendo as repercussões que teve o tal post. Afinal não agradou a todos! Agora demos largas à imaginação, ou falta dela, para defender a camisola. E vêm os “gosto disto” e vêm os insultos e lá se foi a glória. Mas há sempre a escapadela de ir ver quem faz anos, de entre as centenas de amigos e dar muitos parabéns a quem não conhecemos de lado nenhum ou, se conhecemos, nem nos lembraríamos, não fora o aviso dos aniversários do dia
Depois vêm as lamentações do que correu mal ou a euforia do que correu bem. E aqui entram os tais “segredos” que outrora estavam bem guardados no tal diário do cadeado.
Agora já não há nada a esconder e também não há o mínimo interesse nisso. Agora queremos que o mundo saiba que afinal já não se está numa relação e que fomos comemorar com pataniscas ao jantar, com a inevitável fotografia do repasto.
Assistem-se aos treinadores de bancada e não é só de futebol que falo. Há especialistas em todos os assuntos. Fazem-se revoluções virtuais, incitam-se as massas, trocam-se insultos da esquerda à direita, criam-se grupos de banalidades e outros de utilidades e assim se vão preenchendo momentos de solidão.

A Comunicação social que temos e não queremos

“Uma dezena de pessoas assaltou uma padaria de portugueses no Estado venezuelano de Vargas, roubando bens no valor de 50 milhões de bolívares (3,7 milhões de euros à taxa oficial Sicad) avançaram nesta sexta-feira à agência Lusa fontes da comunidade portuguesa.”….. “os ladrões decidiram a levar todos os queijos, enchidos e sumos de fruta que havia no estabelecimento”.

Noticia da Lusa noticiada pelo JN e pelo Público

Uma padaria no Estado venezuelano de Vargas tinha queijos, enchidos e sumos de fruta no valor de 3,7 milhões de euros? É notório na nossa comunicação social que existe uma campanha contra o governo da Venezuela, mas… tenham algum decoro! Quem pode acreditar nisto?

Não pretendo aqui defender a governação na Venezuela, como não o pretendo fazer em relação ao Irão ou à Coreia do Norte. Não é desse assunto que aqui se trata mas sim da forma vergonhosa como a nossa comunicação social dá as noticias que nos entram pela casa dentro. Sabemos que a comunicação social, supostamente livre e independente, está dependente do grande capital e nas mãos de grandes grupos económicos. Sabemos que de livre tem muito pouco. Sabemos que é utilizada para servir interesses nem sempre muito claros e para nos “vender” a “verdade” em que desejam que acreditemos. Sabemos como é fácil, através dela, manipular, criar falsas realidades e falsas verdades. Nela se vendem ideias, detergentes, ideologias, governos, etc. e se justificam guerras e massacres em nome da liberdade, da democracia, de Deus ou de outra qualquer razão. Basta lembrar o Iraque. Nela se criam demónios quando necessário e é útil aos interesses de alguns. Basta lembrar Portugal na década de 70, após o 25 de Abril, quando foi a CIA (que até enviou para cá o Frank Carlucci) e os interesses económicos que financiaram e criaram a ideia da “maioria silenciosa”, de um povo em luta contra a opressão e tudo o mais que se sabe hoje como verdades já assumidas. Não duvido que na Venezuela, no Irão e noutros países “do eixo do mal”, a CIA e os interesses económicos estejam a fazer exactamente o mesmo com a conivência dos meios de comunicação que controlam. Basta ver que todos os dias somos bombardeados com a “opressão” a que esses povos estão sujeitos, aos mortos e feridos em manifestações de protesto pela liberdade e nada se fale de Israel ou da Arábia Saudita e ninguém se importa com os massacres no Darfur ou no Ruanda. Tanto que se falava do malvado Kadafi mas ninguém se importa que hoje haja na Líbia mercados abertos para venda de escravos.

Um dos grandes problemas da liberdade e da democracia é exactamente a comunicação social que, como sabemos, não é livre nem democrática. Pertence ao poder económico (e a outros poderes menos claros e mais secretos) que a utilizam para manipular. É em nome delas, liberdade e democracia, que nenhum controlo é exercido sobre o que é noticiado e se alguém critica ou levanta a voz fala-se logo em tentativa de controlar a dita comunicação livre e democrática. Se um jornalista não obedece à voz do dono vai para o olho da rua e se um estado ousa dizer alguma coisa está a tentar controlar a informação (a tal dita livre e democrática).

Não posso acreditar na noticia que inicia este texto, por ser abusiva da inteligência de qualquer um. Não posso confiar nem acreditar nas noticias que nos são impingidas pela comunicação social que mais não fazem que criar a “Matrix” em que vivemos. Vivemos numa época de mentira e manipulação e já nunca sabemos em que podemos acreditar, e quem não sabe no que pode acreditar não vive nem em liberdade, nem em democracia. Vive na mentira.

Artigo escrito por João Pestana

Famílias no mercado livre de electricidade podem voltar ao regulado

As famílias que estão no mercado livre de electricidade podem a partir de 1 de Janeiro de 2018 regressar à tarifa regulada, mantendo o mesmo comercializador, se este disponibilizar o novo regime, ou voltando ao fornecedor em mercado regulado, a EDP – Serviço Universal. O processo que cria o designado regime equiparado ao das tarifas transitórias ou reguladas (pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos – ERSE) para o fornecimento de electricidade aos clientes finais de baixa tensão normal – famílias e pequenos negócios – surgiu com a proposta do PCP, aprovada no parlamento com os votos favoráveis do PS, BE, PEV e PAN.

Os comercializadores têm que divulgar se disponibilizam ou não o regime de tarifas reguladas, nos termos a definir pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), dispondo de 10 dias úteis para responderem aos clientes que solicitarem o acesso a esta nova tarifa. Nas facturas enviadas aos consumidores por todos os comercializadores em regime de mercado “deve ser colocado o valor da diferença entre o preço praticado em regime de mercado e a nova tarifa equiparada ou regulada”. Caso se verifique a inviabilidade de aplicação da oferta desta tarifa por parte dos comercializadores, “os consumidores devem ser informados por escrito, constituindo esta resposta comprovativo para se cessar o contrato e formalizar o fornecimento de electricidade com comercializador de último recurso”, isto é, a EDP – Serviço Universal. “Os clientes finais não poderão ser penalizados se tiverem sido contratados serviços duais ou adicionais relativos ao contrato anterior, sempre que decidam exercer o direito de opção à tarifa equiparada”, segundo o diploma.

Entretanto, a ERSE deu aos comercializadores de electricidade em mercado livre que pretendam praticar condições de preço regulado até ao início de Março para oferecer esta possibilidade aos clientes. De acordo com os últimos dados da ERSE, o mercado livre de electricidade em Portugal tinha no final de Outubro 4,94 milhões de clientes (entre famílias e empresas) e cerca de 84% do consumo total do segmento doméstico – abrangido pelo regime equiparado à tarifa regulada.

Câmara de Lisboa abre concurso para alugar casas com rendas convencionadas.

A Câmara Municipal de Lisboa abriu um novo período de candidaturas para o Programa Renda Convencionada. No programa estão a ser sorteadas 14 casas com rendas entre os 114 e 268 euros.

As candidaturas abrem dia 5 de janeiro e as habitações poderão ser visitadas entre dia 4 e 11 de dezembro.

Para concorrer pode dirigir-se ao site da Câmara Municipal de Lisboa e ver as normas e requisitos para se conseguir candidatar.

rehabitarlisboa.cm-lisboa.pt

 

 

Uma qualquer pessoa para uma pessoa qualquer

“Criatividade é permitir a si mesmo cometer erros. Arte é saber quais erros manter”
Scott Adams (Frase de um cartaz no Hall do Teatro Turim)

Vi pela primeira vez o Rafael num pequeno monólogo numa mostra de teatro breve em contentores e percebi logo que não seria a última vez. É que o Rafael é um Actor de Teatro como não há muitos por ai. Depois desse dia, de cada vez que o vi surpreendeu-me sempre com uma nova representação diferente de todas as outras, mas sempre genial. Vem este texto a propósito de mais uma peça, mais um monólogo, que fui ver hoje e onde senti o desgosto de uma sala praticamente vazia e o privilégio de o ter a actuar quase só para mim (éramos 6 pessoas). A peça termina deixando a ideia de que as coisas têm a forma que nós lhe dermos pelo que posso escolher entre o desgosto e o privilégio e prefiro este último. O desgosto deixo para os outros, os que podendo perdem as oportunidades de ver bom teatro.

Vivemos na era da imagem, da rapidez, do supérfluo e do efémero. Tudo passa em frente dos nossos olhos e antes que tenhamos tempo para ter consciência disso já algo novo e diferente nos ocupa os sentidos antes de também esse novo instantaneamente passar a velho numa sucessão quase infinita. Televisões, computadores cada vez mais rápidos e cada vez a imitar mais o real que nunca poderão ser simplesmente porque não o são. Nada é para ficar, para guardar, tudo passa como num feed do facebook. Um like e segue em frente.

No Teatro o tempo é importante. O tempo de dizer, o tempo dos silêncios. É o actor que nos conta uma história, que fala connosco, que troca a nossa atenção pela sua arte. A arte do movimento, do dizer, do comunicar. O Rafael Diaz Costa merece todo o meu respeito como actor e merecia ser conhecido por mais gente para mais gente o poder respeitar. Ele anda por ai a fazer peças e a surpreender quem o queira ver.

Este sábado e domingo (28 e 29 de Outubro) ainda vai estar com a peça “Uma qualquer pessoa” no Teatro Turim (Estrada de Benfica 723, 1500-089 Lisboa Tel: 21 760 6666). Quem puder aproveite que não se vai arrepender.

Texto e Encenação: Laura L. Tomaz

Por João Pestana

HUBRIS E ARROGÂNCIA, É O QUE RESTA AO IMPÉRIO

No seguimento das questões levantadas pela iniciativa da China de estabelecer contratos futuros de compra de petróleo em Yuan, o qual é convertível em ouro no Shangai Gold Exchange, há muitos analistas que descrevem isso como um ataque direto ao dólar. O dólar seria destronado do seu papel como moeda de reserva, visto que os países produtores de petróleo (principalmente, os pertencentes à OPEP) deixam de aceitar em exclusivo esta divisa. Antes, qualquer país comprador tinha de possuir dólares para adquirir esta estratégica matéria-prima. É assim que funciona há 43 anos o sistema do petrodólar, resultante das negociações entre Kissinger e a monarquia saudita.
Porém, tal visão é muito estreita, visto que os chineses detêm um excesso de dólares (acima de um trilião) como resultado do seu comércio, altamente deficitário para os EUA.
Provocar a descida acentuada do dólar, sendo esta a mais importante divisa de reserva no banco central e nos bancos comerciais chineses, parece uma forma de auto-sabotagem, mais do que medida estratégica, no contexto do sistema monetário e financeiro mundial.
Além disso, o facto do dólar continuar a ser a moeda de reserva mundial, deve-se a seus detentores, estatais ou privados, assim o quererem. Enquanto assim quiserem, não importa em que divisas seja transaccionado o petróleo (ou outra matéria-prima), o dólar continuará a estar na posição de moeda de reserva mundial.
O perigo maior para o sistema do petrodólar, vem apenas e somente da enorme arrogância e hubris do império americano. Este tem usado e abusado da situação de privilégio de ser detentor da moeda reserva mundial para impor sanções, para dificultar o comércio e sabotar países.
O sistema de Bretton Woods só poderia ser aceitável por todos os actores ao nível mundial, se os EUA fossem capazes de refrear a tentação de usarem a sua posição especialíssima, como arma contra todos os que se rebelam e contestam a sua hegemonia.
Com efeito, nenhum país está a salvo destas medidas de guerra económica, que são o decretar unilateral de sanções, como veio recentemente provar a imposição de sanções (unilaterais) contra a Rússia e forçando os seus aliados (vassalos) da NATO a seguirem o mesmo caminho, mesmo com enorme prejuízo para eles próprios.
Mas a Rússia e a China são potências demasiado grandes para ficarem «debaixo da pata» de Washington. Naturalmente, têm encetado o caminho de se autonomizarem do sistema dólar, assim como do controlo do sistema «Swift», das transferências de divisas e de transações internacionais. Já criaram e funcionam com o seu sistema próprio, equivalente ao sistema Swift.
Paralelamente, vão comprando tanto ouro quanto podem, pois sabem que o atual sistema monetário está no fim do seu «prazo de validade», sobretudo porque as divisas são meramente símbolos manipulados pelos bancos centrais e comerciais, sem nenhuma ligação sólida à economia real, divisas «fiat».
Assim, os EUA têm tido o exorbitante privilégio de obter, a troco de «pedaços de papel» ou de dígitos eletrónicos, importações de bens e serviços sem os quais a economia dos EUA iria certamente para o colapso, visto que já deixou há muito de ter base industrial suficiente para se auto-sustentar e exportar.
Por outras palavras, mais nenhum país no mundo tem a capacidade de estar sucessivas décadas (!) em défice comercial. Os EUA conseguem esse prodígio, porque «exportam» a sua divisa e o mundo inteiro, por enquanto, aceita o dólar como pagamento.
O facto do Yuan estar a dar passos para seu reconhecimento, enquanto moeda de reserva não é de agora, basta pensar-se na longa batalha para que o FMI incluísse a divisa chinesa no cabaz de divisas, o SDR (cabaz composto por determinadas percentagens de dólares, libras, yens, euros e – agora – de yuans).
Os países ou agentes privados ficarão contentes em serem detentores de yuan, pois, agora têm a possibilidade concreta de trocar esses yuan por ouro.
O ouro, vale a pena recordá-lo, embora tenha sido «desmonetizado», continua a ser um metal monetário e ser símbolo de riqueza e de poder, como foi durante milénios.
De outro modo, seria absurdo todos os bancos centrais possuírem importantes quantidades deste metal; se fosse apenas uma matéria-prima entre outras, não haveria razão objetiva para instituições exclusivamente financeiras continuarem a deter e adquirir mais ouro.
Nos finais da IIª Guerra Mundial, o regime de Hitler estava já claramente derrotado: ainda assim, conseguia fazer importações a troco de ouro, visto que já não conseguia que os parceiros comerciais aceitassem o marco alemão.
Quando houver bastante comércio internacional em várias outras divisas e que não os cerca de 70% (actualmente) em dólares, as nações e as empresas já não verão como essencial possuírem esta moeda em reserva.
É nessa altura que o dólar será abandonado como reserva «oficiosa», pois toda a gente sabe que o dólar – desde 1971 – já não está garantido por nada de sólido.
Antes, mantinha a sua convertibilidade em ouro, o que resultava do acordo de Bretton Woods.
O desaparecimento do dólar, enquanto divisa de reserva, não será súbito, nem total: basta ver o exemplo histórico da libra.
Muitas pessoas analistas dos mercados financeiros vêem sinais claros de que o ouro irá – de novo – desempenhar um papel de relevo no sistema monetário internacional. Com efeito, este tem uma vantagem inegável sobre qualquer divisa emitida por um banco central: é que não pode ser fabricado a preceito ou conforme as conveniências de uma super-potência, além de seu valor ser o mesmo em todo o mundo e aceite, independente do local onde foi minerado ou refinado.

 

Carta ao Presidente da República, solicitando o veto do CETA.

A Fábrica de Alternativas é um dos apoiantes da luta da Plataforma Não ao Tratado Transatlântico desde a sua formação. Sabemos dos perigos que estes tratados internacionais de comércio representam, não só para a soberania dos países, mas sobretudo para a vida de todos e cada um de nós. Após a luta contra o Tratado Transatlântico e devido a ela esse tratado foi colocado em banho Maria, transferiram a ofensiva para um outro tratado em discussão, o CETA (Acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Canadá). Este tratado, mesmo sem o obrigatório e necessário debate nacional e com todas as mal-feitorias nele contidas foi já aprovado na Assembleia da República. Está agora nas mãos do Presidente da República a sua promulgação. Ainda é possível travar mais este ataque aos nossos direitos, à nossa saúde e às nossas vidas. Exerçam a vossa cidadania enviando a carta ao Presidente da República, solicitando o veto do CETA.

O endereço é belem@presidencia.pt

Exmo. Senhor Presidente da República

Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa

Dirijo-me a V. Exa. como cidadã preocupada com as gravosas consequências que o Acordo Económico e Comercial Global (CETA – Comprehensive Economic and Trade Agreement) terá para os portugueses, sem que tenham sequer sido informados sobre o mesmo. O CETA é desconhecido da quase totalidade dos cidadãos portugueses. Um debate alargado com a sociedade civil, conforme aprovado na Assembleia da República, no dia 12 de Janeiro do corrente ano (Projecto de Resolução n.º 606/XIII/2ª), não teve lugar.

O CETA é um acordo comercial que interfere directamente nos vários sectores da vida dos cidadãos, ao harmonizar padrões ambientais, sociais, de saúde pública e outros, entre a União Europeia e o Canadá, sem o mínimo respeito pelos cidadãos nem considerar o bem comum.

O CETA é um acordo que ameaça o Estado de Direito, a Soberania e a Democracia em matérias como a protecção social e a regulação laboral, sanitária e ambiental. Conduz a um agravar das desigualdades, a uma ameaça às pequenas e médias empresas e aos pequenos agricultores, à saúde pública, ao meio ambiente, com particular destaque ao combate às alterações climáticas. Também põe em causa a privacidade dos dados dos cidadãos e os seus direitos enquanto consumidores.

Por outro lado, estou profundamente preocupada com o facto de, no CETA, serem atribuídos direitos especiais a investidores, apenas estrangeiros, para processarem estados.

Estes direitos são fundamentados em enunciados difusos como “expropriação indirecta“, “legítimas expectativas de lucro“ e “tratamento justo e equitativo”.

Note-se ainda que, opostamente, os estados não podem processar as empresas, por exemplo, no caso das práticas daquelas empresas prejudicarem a vida dos cidadãos, directa ou indirectamente.

Exmo. Sr. Presidente, qual a justificação para que, entre estados em que a existência de segurança jurídica é indubitável, seja criada uma justiça paralela? Note-se que as empresas estrangeiras passarão a poder escolher entre processar um estado através de um tribunal do próprio estado, do ICS (Investment Court System), ou de ambos. Entretanto, as empresas nacionais ficarão prejudicadas por não terem acesso a esse recurso suplementar.

Refira-se ainda que o valor desmesurado que tais processos envolvem, tanto pelos custos processuais como pelas indemnizações exigidas, poderá pôr em causa a própria economia nacional e provocar a precarização dos portugueses.

A protecção ao investimento incluída no CETA vai pois criar uma discriminação, constitui uma infracção contra o tratamento igualitário e é, juridicamente, uma arbitrariedade. Nesse sentido, o governo belga enviou, no dia 6 de Setembro passado, um pedido de opinião ao Tribunal de Justiça da União Europeia sobre a compatibilidade das disposições de protecção do investimento no CETA. Foi também apresentada uma queixa de inconstitucionalidade, apoiada por mais de 120.000 pessoas, ao tribunal constitucional de Karlsruhe, Alemanha, não se tendo este ainda pronunciado.

Dado o exposto, Exmo. Sr. Presidente, apelo à não ratificação do CETA.

Aguardando resposta,

Atenciosamente,

Incentivem os vossos familiares, amigos. colegas, conhecidos e todos os vossos contactos para enviarem igualmente a carta/email ao presidente e assim darão ainda mais força a esta iniciativa. Se enviarem em BCC, para o email: info@nao-ao-ttip.pt, poderão ser contabilizadas também essas mensagens, sabendo de forma mais consistentemente, o número de cidadãos que dirigiram o pedido ao PR.

Nota: Apesar da Fábrica ser subscritora da Plataforma Não ao TTIP escrevo este artigo em nome pessoal por não haver tempo útil para levar o assunto a Reunião de Fábrica. É a luta pelos nossos direitos e pelo futuro dos nossos filhos que está aqui em causa. Enviem o email e mostrem a vossa indignação. Se tiverem dúvidas sobre o que está aqui em causa visitem a página https://www.nao-ao-ttip.pt/category/ceta/

João Pestana

O novo veneno mortal da Monsanto

A Monsanto lançou um super veneno que se espalha pelo ar e mata as plantações dos terrenos vizinhos no seu caminho, excepto aquelas que usam as sementes transgénicas deles!

Em poucos dias podemos ajudar a proibi-lo.

Foi com enorme desespero que 1.000 fazendeiros que foram afectados por este veneno, num estado dos EUA podem finalmente bani-lo e isso pode abrir um precedente de importância mundial para sua proibição.

A Monsanto está a fazer de tudo para abafar o caso e reduzir o assunto ao nível local. Mas se um milhão de nós assinarmos esta petição, vamos encaminhá-la para um processo oficial e mostrar que o mundo quer esse veneno longe de nossos campos e alimentos.

Adicione seu nome à petição: Enfrente a Monsanto

Os fazendeiros estão desesperados e não é sem razão. O dicamba, como é chamado o veneno, que espalha-se com o vento levando destruição por onde passa, matando plantações, árvores, solo e água. Agora os produtores estão enfrentando uma escolha terrível: migrar para as sementes transgénicas da Monsanto ou assistir a morte de suas plantações.

Esse é um esquema ganancioso e perigoso no qual a Monsanto vai embolsar milhares de milhões de dólares, e que pode destruir o ciclo mundial de produção alimentar.

Mas podemos ajudar a impedi-los. 17 estados americanos abriram investigações contra o dicamba e as autoridades de um deles, o Arkansas, recomendaram sua proibição. A decisão será votada em breve e autoridades da UE e da América Latina estão atentas ao resultado. Se um milhão de nós enfrentarmos a Monsanto no Arkansas e vencermos fazendo aprovar essa proibição, podemos travar esse veneno mortal.

Há anos, a comunidade da Avaaz luta como David vs Golias para impedir esquemas corruptos e perigosos de controlarem a produção de alimentos. Estamos vencendo: ano passado, ajudamos a impedir que a Monsanto abrisse uma mega-fábrica de sementes transgénicas na Argentina e que UE renovasse a licença do pesticida glifosato. Agora, podemos ajudar o Arkansas vencer essa nova batalha.
Assina a petição: Enfrente a Monsanto

Mais informações:

Agricultores reclamam estragos causados por pesticida nos EUA (UOL)
https://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2017/08/02/agricultores-reclamam-de-estragos-causados-por-pesticida-nos-eua.htm

EUA avaliam restrições a herbicida ligado a danos às lavouras (Exame)
https://exame.abril.com.br/negocios/eua-avaliam-restricoes-a-herbicida-ligado-a-danos-as-lavouras/

Enquanto Blairo Maggi vira anedota na ONU, CTNBio liberta nova soja transgénica (RBA)
ttp://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2016/12/enquanto-blairo-maggi-vira-piada-na-onu-ctnbio-libera-nova-soja-transgenica-527.html

Um milagroso pesticida que deveria salvar as fazendas. Mas na verdade, está a destruir tudo. (em inglês) (Washington Post)
https://www.washingtonpost.com/business/economy/this-miracle-weed-killer-was-supposed-to-save-farms-instead-its-devastating-them/2017/08/29/33a21a56-88e3-11e7-961d-2f373b3977ee_story.html

A Avaaz é uma rede de campanhas global de 44 milhões de pessoas que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas nacionais e internacionais.

(“Avaaz” significa “voz” e “canção” em várias línguas).

Afinal, só queremos ser felizes

Já está descrito neste site quem somos e o que fazemos pelo que não me parece necessário repetir o que já foi dito. No entanto, é necessário referir algumas das coisas que fazem parte da nossa história e da forma como vemos a cidadania, livre de grilhetas, de negociatas ou favores, seja de quem for. Foi um grupo de cidadãos que iniciou este projecto e desde esse momento até hoje nunca recebemos qualquer ajuda financeira, mas também nunca a pedimos. Só por uma vez, munidos de uma longa lista de actividades já realizadas, nos dirigimos, primeiro à Junta de Freguesia de Algés e depois à Câmara Municipal de Oeiras, para solicitar ajuda no sentido de encontrar um espaço onde pudéssemos alojar a nossa Associação. Tínhamos acabado de ter de abandonar o espaço onde nos encontrávamos e os nossos poucos pertences estavam ao alcance das intempéries, cobertos de plásticos, no quintal de um associado. Infelizmente, apesar dos sorrisos, da admiração pelo trabalho feito e da vontade expressa pelos autarcas em ajudar, lamentaram não o poder fazer porque todos os espaços vazios existentes, muitos deles a degradarem-se, já tinham outros destinos. Quase dois anos depois, esses espaços continuam vazios e a degradarem-se, mas isso é outra história. Havia um problema que tínhamos de resolver e, uma vez mais, foi a vontade de quem participa e acredita neste projecto que nos fez avançar para o aluguer do espaço possível, limitado em tamanho, na localização de fraca acessibilidade e com um custo elevado. E assim a Fábrica de Alternativas renasceu e recomeçou a realizar as suas actividades vivendo dos donativos de quem nela participa. Sabemos que com outras condições poderíamos fazer muito mais, mas isso não nos demove da vontade de fazer sempre o máximo que podemos. Como podem constactar, se visitarem neste site a página onde pode ser vista um pouco da nossa história (aqui) , não há assuntos tabus e não há nada que não possa ser falado e debatido. As actividades, essas continuam com a boa vontade de muita gente. Somos cidadãos que acreditam na partilha, na solidariedade e na participação cidadã. Somos livres, acreditamos na democracia directa aberta a todos e, sobretudo, acreditamos nas pessoas e que é possível construir uma sociedade melhor, onde todos se possam sentir mais úteis. Queremos fabricar alternativas aos sofás em frente das televisões, à vida monótona e sem sentido, à opinião programada e propagada por quem deseja simplesmente preservar o poder. Afinal, só queremos ser felizes.

João Pestana

Consumo Sustentável

O consumo sustentável traduz-se na utilização adequada dos recursos naturais de forma a satisfazer as actuais necessidades de consumo sem comprometer as gerações futuras. Um sistema alimentar sustentável engloba vários aspectos socioeconómicos – que passam pela produção, transporte, armazenamento – e ao mesmo tempo ambientais – em termos de biodiversidade, água, solo e energia.

 

Guia para um consumo sustentável

FIB – Felicidade Interna Bruta

FIB – Felicidade Interna Bruta por João Pestana

Qual a verdadeira necessidade, que parece ser a mais lógica, para a vida de uma qualquer espécie, neste caso do homem? Ter uma vida calma, sustentável, longa, mas também ser feliz. Sendo assim parece que quem assume a liderança dos estados deveria criar as condições para que esses objectivos pudessem ser atingidos portodos os cidadãos.

Nas sociedades modernas e capitalistas concluiu-se que a para o realizar o mais importante é o dinheiro, a riqueza. A argumentação é a de que criando riqueza para o país mais facilmente se poderiam criar as condições, com escolas, hospitais, serviços e outras obras, potenciando o bem-estar e a cultura. Vivemos, por isso, cada vez mais, numa sociedade em que o crescimento económico é visto como a solução milagrosa para todos os problemas e onde, perante a persistência desses problemas em continuarem a existir, se exige ainda mais crescimento e se afirma mesmo que este deve ser eterno. Um país só está bem quando cresce, ano após ano, indefinidamente.

Se o discurso até poderia fazer sentido, na verdade a realidade é bem diferente. Este tipo de política económica acaba por transformar o homem numa ferramenta ao serviço da produção deriqueza e, como o foco está na riqueza, este pode ser descartado sempre que necessário. O objectivo é servir os interesses de alguns à custa das populações, distorcendo toda a lógica que deveria existir no sistema. A riqueza não é criada para servir o homem, pelo contrário o homem é utilizado para criar riqueza. O valor do dinheiro sobrepõe-se ao valor da

vida humana. A isto podemos ainda acrescentar a utilização sem controlo a que é sujeito o nosso planeta, poluindo, destruindo a natureza e colocando em risco a própria existência da vida, a nossa e a de todos outros seres vivos. Poder-se-ia ainda acrescentar as guerras pelas matérias-primas, os massacres, a miséria, a fome, etc..

Infelizmente este discurso faz escola nas sociedades modernas e o PIB (Produto Interno Bruto) é o indicador que mostra a riqueza de cada país e é utilizado para escravizar os povos e para lhes exigir cada vez mais sacrifícios, ou seja, a infelicidade.

Em 1972, o Rei do Butão, JigmeSingyeWangchuck, em resposta às críticas de o seu país ter um crescimento do PIB demasiadamente baixo criou uma nova forma de analisar o estado do país; O FIB, a Felicidade Interna Bruta (Gross National Happiness – GNH).

Assim o objectivo do modelo de desenvolvimentos deixou de ser o simples crescimento económico, mas sim de uma sociedade mais humana em que o desenvolvimento espiritual e material devem coexistir em simultâneo, complementando-se e reforçando-se mutuamente, sendo o FIB avaliado segundo os seguintes parâmetros:

Promoção do desenvolvimento educativo para a inclusão social
Preservação e promoção dos valores culturais
Resiliência ecológica na base do desenvolvimento sustentável
Estabelecimento da boa governança
Preservação dos valores capazes de garantirem a vitalidade comunitária
Saúde na garantia da vida
Desenvolvimento sustentável para a inclusão e potencialização do padrão de vida
Diminuição da jornada de trabalho na promoção do tempo livre e do lazer
Estimulo à participação em actividades desportivas
Igualdade entre géneros e liberdade de pensamento

Assim, promovendo o desenvolvimento da vida em todas as suas vertentes, económica, social, e cultural, respeitando as diferenças, é possível criar uma sociedade que tenha como objectivo a felicidade de todos.

Talvez esteja na altura de também nós mudarmos os paradigmas criados nas nossas sociedades, ditas evoluídas, e os discursos economicistas para prestarmos um pouco mais de atenção à vida e às razões que estão na sua essência. Talvez esteja na altura de escolhermos a felicidade como a nossa “moeda.”

“Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer…e morrem como se nunca tivessem vivido. “ Dalai Lama

Gentrificação em Algés

Debates na Fábrica por Manuel Banet

Na concorrida sessão na Fábrica de Alternativas (Algés), fomos convidados a ouvir e debater com Luís Mendes, AugustinGant e Marina Carreiras, sobre as causas, os efeitos e os condicionamentos, no curto e longo prazo, da gentrificação nas nossas zonas urbanas.

A gentrificação foi definida pelo primeiro palestrante, Luís Mendes, como significando um deslocamento da população que tradicionalmente habita uma zona, normalmente de interesse turístico, para a instalação de uma nova população, constituída por indivíduos e famílias de capacidade económica nitidamente superior à população tradicional, havendo uma intensificação deste fenómeno com a gentrificação turística porque, neste caso, todo o tecido urbano – e não apenas a aquisição ou arrendamento de habitação – fica fortemente condicionado pela «invasão» turística.

Augustin Gant, falou-os a seguir, como testemunho e estudioso do efeito do turismo no tecido social do sul de Espanha. A sua perspectiva é, com razão, muito crítica em relação ao consenso fabricado de que «o turismo é uma coisa boa, porque tem efeitos positivos em toda a economia de um país», tendo estudado com maior pormenor o que ocorreu na zona central de Barcelona, nos últimos 30 anos.

A terceira oradora do serão, Marina Carreiras, deu-nos um panorama do concelho de Oeiras com especial enfoque na freguesia de Algés, nos últimos decénios, tendo ficado

claro que a população residente rejuvenesceu: verifica-se a importação de gente jovem e o aumento da natalidade da ordem de 18%. Esta nova população possui nível económico e sócio-profissional mais elevado que a população envelhecida, que existia anos 80, fragilizada economicamente.

Algés tem continuidade física – em termos de tecido urbano e de rede de transportes – com Lisboa, sendo um subúrbio bastante antigo. Será naturalmente uma escolha pertinente para todos aqueles que não têm posses para viver com conforto na capital, mas que aí trabalham ou estudam.

Não tem as características de «dormitório» das periferias das grandes cidades, onde grandes blocos de cimento se perfilam no horizonte, com uma população que vai todos os dias trabalhar a muitos quilómetros de distância.

Algés conta com uma malha urbana estabilizada e possui uma grande diversidade de comércio. A taxa de nascimentos subiu muito acima da média nacional e do próprio concelho de Oeiras, havendo um aumento correlativo do preço de compra das habitações e dos alugueres.

Penso que estes fatores indicam o efeito de proximidade em relação à gentrificação turística, muito acentuada, que tomou conta dos espaços urbanos de Lisboa.

O efeito de aumento exponencial da população jovem e, correlativamente, das rendas em Algés é um efeito reflexo do que se passa em Lisboa.

Na capital, para famílias de recursos modestos ou médios, tornou-se inviável a compra ou arrendamento em todo o lado, já não apenas nas áreas mais afetadas pelo fenómeno da gentrificação turística, já não apenas para aquelas faixas da população com menor capacidade económica, como seja o caso de estudantes ou de jovens com rendimentos baixos e incertos.

Na viva discussão que se seguiu apontaram-se várias questões que são subjacentes ao fenómeno de gentrificação: falou-se das mudanças na lei dos arrendamentos, nos grupos internacionais investindo no imobiliário, na completa descaracterização da paisagem

humana, como uma «bomba de neutrões» deixando bairros ditos típicos vazios dos autóctones e onde deixou de haver a vida tradicional.

Nestes bairros investidos pelo turismo as habitações são alugadas ao dia. Uma rua de Alfama (prédios com um ou dois pisos apenas) pode ter mais de uma centena de apartamentos para aluguer turístico. Quanto à raríssima oferta de aluguer de longo prazo, é de preço bem acima das possibilidades da família com rendimento médio.

Todos os comércios e serviços são desviados para satisfazer o turismo. Outras actividades, não directamente dependentes do turismo, estão condenadas. Dá-se o efeito «bola de neve»: à medida que desaparecem os empregos que tradicionalmente eram ganha-pão da população de uma zona, as pessoas deixam de lá morar e isso vai causar o desaparecimento do comércio de proximidade que naturalmente abastecia essa população e o ciclo vicioso vai-se agravando irreversivelmente.

A gentrificação turística é porventura a mais agressiva modalidade de gentrificação. Ela é consequência do fenómeno turístico, ele próprio altamente sujeito a modas, a acontecimentos geopolíticos, além da constante alternância entre períodos de expansão e de crise, próprios do capitalismo.

A sustentabilidade de tal modelo é nula ou muito fraca e sempre no curtíssimo prazo, os decisores políticos sabem-no perfeitamente. No entanto, facilitaram os referidos alojamentos turísticos e os albergues (hostels) nos últimos dez anos na cidade de Lisboa, com o falacioso argumento de que isso traz dinheiro, actividade económica e emprego: resta saber que aplicação é dada ao dinheiro, qual a qualidade e a sustentabilidade das atividades económicas e sobretudo se esse tal emprego é de qualidade, se as remunerações são a um nível decente ou se são empregos temporários, mal pagos, com uma total desprotecção em termos de direitos e condições laborais?

Há muito que fazer e que trabalhar para desenvolver uma luta (desigual) entre a cidadania, que reclama o espaço urbano como seu, face ao poder do dinheiro que tem influenciado de maneira avassaladora o establishment político e mediático.

Se houver uma forte pressão sobre os políticos nas autarquias, com «observatórios cívicos» permanentes, que revelem as realidades no terreno, permitindo que se leia a realidade por debaixo da propaganda auto-elogiosa desses poderes… talvez se possa fazer valer os desejos e direitos das populações.

 

António Sérgio e a Educação

Por Teófilo Braga

Apesar dos tempos decorridos, a obra de António Sérgio para além de ser pouco conhecida, merece ser divulgada. Neste número dos Cadernos Selvagens damos o nosso modesto contributo para que o seu pensamento não caia no esquecimento.

  • O Pedagogo

“Só voltarei naturalmente a assentar arraiais em Portugal quando me puder ir dedicar à minha revolução que é, como sabe a revolução pedagógica” (António Sérgio, 1914)

Sempre que alguém mencionava o nome de António Sérgio associávamos ao movimento cooperativista que teve a seguir ao 25 de Abril de 1974 uma grande expansão, pois antes daquela data o mesmo não era incentivado, havendo casos de muitas cooperativas que viram as suas portas encerradas pelo Estado Novo.

Só muito recentemente, na sequência de pesquisas que temos efetuado relacionadas com o Movimento da Escola Moderna, nomeadamente sobre a influência de pedagogos portugueses naquele movimento, que começou por ser inspirado pelas ideias do pedagogo francês CélestinFreinet, descobrimos que António Sérgio não foi apenas um dos principais ideólogos do cooperativismo, mas também um dos mais influentes políticos, de tendência socialista (não marxista), ensaístas e pedagogos portugueses do século XX.

António Sérgio de Sousa, natural de Damão, onde nasceu em 1883, foi na Primeira República ministro da Instrução do governo liderado por Álvaro de Castro, tendo permanecido no cargo apenas de Dezembro de 1923 a Fevereiro de 1924.

António Sérgio foi um dos intelectuais portugueses que não aceitou a chegada ao poder de Salazar, tendo, depois de ter chegado à conclusão de que o regime não era capaz de se liberalizar, defendido a sua substituição através de um golpe militar.

Antes de falecer, em Lisboa no ano de 1969, António Sérgio esteve no exílio, foi preso em 1933, 1935, 1948 e 1958, viu alguns dos seus livros serem apreendidos e foi alvo de ataques e calúnias diversas.

Antes de apresentarmos alguns excertos do autor que ilustram o seu pensamento sobre a educação e o ensino, acrescentamos que, segundo Irene Pimentel, António Sérgio divulgou em Portugal o método Montessori, criou o ensino para deficientes e o cinema educativo.

Sobre a escola do seu tempo, que não será muito diferente da de hoje, no Dicionário de Educadores Portugueses dirigido por António da Nóvoa, podemos ler a seguinte citação de António Sérgio:

“A escola, até hoje, tem sido um acervo de coisas maléficas, de tratos diabólicos, de prescrições tirânicas: e já é importantíssima reforma a simples anulação das coisas más. Grande programa: não fazer mal! A imobilidade nas aulas, os estudos sem gosto, os rígidos programas, a apreensão passiva, as angústias dos exames, etc., etc., produzem transtornos de muita espécie. Estabeleçamos a comparação: em um dos pratos da balança – os muito contestáveis benefícios que tudo isso pode trazer, no outro -, os danos sabidos que com certeza traz…, Ah, imenso programa: liberdade ao aluno; não fazer mal”.

Em relação à escola desejada, António Sérgio, segundo a fonte que citámos defende que a mesma deve ter duas divisas: autonomia e trabalho. Assim, para ele “dois grandes objetivos incumbem à escola do futuro: um deles, a anulação progressiva dos antagonismos sociais, e a instauração da sociedade justa, pela Escola Única do Trabalho; o outro a realização da Liberdade na vida da gente adulta, pela educação das crianças no regime da Liberdade”.

No que diz respeito à autonomia, António Sérgio é claro ao escrever que a mesma tanto na sociedade exterior como na escola “não pode ser-nos presenteada pelos governantes; tem de ser conquistada pelos governados, pacientemente, todos os dias”.

Por último, uma referência à Educação Cívica. O autor da biografia que vimos citando refere que na defesa da autonomia por António Sérgio está subjacente a ideia de que “ a autonomia e a educação cívica aprendem-se praticando, e não através de um qualquer ensino ou disciplina”. Precisamente o contrário do que se faz hoje!

  • A Educação

António Sérgio considerava-se um “pedagogista” que pretendia agir na mentalidade “dos que hão-de ensinar à nossa “arraia-miúda” a maneira pacífica de se libertar a si mesma, sem cair na dependência em relação a magnates, a politicões, a tribunos, que são simples instrumentos, mais ou menos conscientes, do bando de argentários que domina a Grei”

Embora a sociedade e a escola de hoje não sejam as do tempo em que viveu António Sérgio, pensamos que a primeira não deixou de ser “fortemente oligárquica” e a escola de hoje tal como a do passado “não dá cultura”. António Sérgio escreveu: “Falando em geral, o amor das ideias é bem raro aqui. A escola portuguesa não nos inspira esse amor. Muito pelo contrário: só pode incutir-nos o horror às ideias, à leitura, ao estudo”.

 

António Sérgio distinguia elites de oligarquias. Segundo ele, elite era uma “minoria dos melhores que estrutura uma nação, que a orienta e que a torna orgânica, que a inspira com o objetivo de se tornar dispensável, de preparar o povo para se governar por si próprio; que a norteia, em suma, não para o bem dessa minoria, mas para o benefício de todos nós, dando pois à sociedade muito mais do que dela recebe”. Por outro lado, oligarquia “é a minoria dos graúdos piores, a qual manda num país…para quê? Para sempre o sacrificar aos seus interesses.

Segundo António Sérgio, a Educação ao invés de formar elites estava a formar oligarquias, isto é “gente, pois, que recebe mais (muito mais) do que aquilo que dá”.

Hoje, quando algo corre mal na sociedade a solução encontrada é sempre sobrecarregar as escolas. A juventude toma drogas ilícitas, faz-se uma sensibilização, há muita gravidez na adolescência, toca a impingir educação sexual, há uma crise económica enfia-se um projeto sobre empreendedorismo, pretende-se pintar de verde algumas atividades governamentais e autárquicas, manda-se implementar o projetoeco-escolas, há poucos eleitores a votar, cria-se o orçamento participativo escolar, etc., etc.

Acreditam eles ou fingem acreditar que os males e a salvação estão na escola. Puro engano, que António Sérgio já havida denunciado ao falar na escola portuguesa nos seguintes termos: “A escola exprime a sociedade, dá o que lhe pedem; e ninguém lhe pede educação, mas diplomas – sendo certo, no entanto, que os que pedem diplomas para seus filhos, e só diplomas, foram educados no seu tempo pelas escolas portuguesas”.

A grande ilusão dos decisores é querer resolver os problemas através da escola quando há muita vida para além dela. António Sérgio sobre esta questão disse: “Quanto a mim parece-me que os males de que nos queixamos são fatalíssima consequência da estrutura da sociedade, – e que só portanto terão remédio se nos metermos firmemente a transformar essa estrutura, o que não é possível com pregações, nem com politica de autoritarismo, nem com reformas só pedagógicas, – mas com reformas sociais e pedagógicas concatenadas, entrelaçadas como fios

de um tecido único, as quais preparem o nosso povo para o uso razoável da liberdade e para empreender por si mesmo a sua emancipação social-económica”.

Há quem ache que a educação deve servir para adaptar a criança à sociedade em que se vive. António Sérgio acha que não e escreve: “No seu papel de organizadora de atividades, a educação não tem por objeto manter a estrutura da sociedade de hoje; tem por objeto melhorá-la, revoluciona-la”.

Hoje, fala-se muito e pouco se faz em relação à autonomia da escola e dos alunos. António Sérgio também defendia “uma escola do trabalho e da autonomia, do labor profissional e da iniciativa – uma escola útil para a vida”. Segundo ele “Uma carneirada escolar dá uma carneirada administrativa, e um decorador de compêndios, um amanuense; mas se cada escola for uma cidade, um laboratório, uma oficina; se conseguirmos desloca-la do enciclopedismo para a criação – o aluno ao sair irá marcado, terá amoldado o seu espírito à iniciativa produtora e virá a ser para a sociedade uma fonte de progresso”.

Mas, para António Sérgio, a autonomia não podia ser só para e na escola. Com efeito, António Sérgio considerava que a mesma devia ser uma meta de toda a sociedade, como se pode concluir da leitura seguinte extrato: “Quanto a mim, actuo a favor do ideal democrático, é certo; mas repetindo mil vezes a afirmação do Proudhon: “democracia é demopedia, democracia é educação do povo”. É treino do operário para se governar a si mesmo através das cooperativas e dos sindicatos, da estrutura do município e da província (associação de municípios), sem necessidade de chefes ou de mandões…”

Texto publicado nos Cadernos Selvagens de DEZ2016

Anatomia do Aloe vera

Riscos e benefícios

Desde há séculos, deu-se todo o tipo de usos médicos e cosméticos a esta planta, à qual se atribuem inúmeras qualidades. A que se deve o seu êxito? Na realidade, poderá fazer algum mal?

Se fizermos uma busca no Google por “aloe vera”, encontraremos uns vinte milhões de resultados. Se teclarmos apenas “aloe”, o número sobe para o dobro. O Aloe vera está na moda, e escrevem-se tratados sobre as suas propriedades medicinais, cosméticas, nutricionais e até culinárias. Há mais de 2000 anos, os sábios gregos consideravam-no uma panaceia universal, e os antigos egípcios referiam-se a ele como a planta da imortalidade. O que o torna tão popular? Estamos absolutamente certos de que o seu uso não tem efeitos negativos?

Curiosamente, e ao contrário do que costuma acontecer, esta planta é mais conhecida pela sua denominação científica do que pelos seus nomes vulgares, como “babosa”.

Trata-se de uma espécie vegetal da família Xanthorrhoeaceae, de tipo perene, de uma cor verde marcada e provida de folhas carnudas e triangulares agrupadas numa roseta basal. Cada uma delas é composta por três camadas: um gel transparente interior, uma camada intermédia de latex, onde se encontra a seiva, e um córtice externo.

Origem misteriosa

Crê-se que deve o nome à palavra árabe alloeh, que poderia traduzir-se como “substância amarga brilhante” e ao termo latino vera, isto é, “verdadeira”. No entanto, a etimologia não diz grande coisa sobre a sua proveniência, a propósito da qual se tem especulado muito.

Segundo o médico Jorge Alonso, presidente da Sociedade Latino-Americana de Fitomedicina e professor na Universidade de Buenos Aires, “pensa-se que o Aloe vera é originário da ilha de Socotra, no oceano Índico, frente ao Iémen; porém, também cresce nas Caraíbas e no Mediterrâneo, assim como na Madeira, nas Canárias e em Cabo Verde”.

Num estudo sobre a evolução histórica do género Aloe publicado na revista BioMed Central, uma equipa de cientistas de vários países assinala que, se bem que ele tenha surgido há 16 milhões de anos, no sul de África, o mesmo não sucedeu com o Aloe vera.

O ensaio sugere que esta espécie, em concreto, proviria da península Arábica. Olwen Grace, bióloga do Real Jardim Botânico de Kew (Reino Unido) e responsável pela investigação, não tem dúvidas: “É semelhante em aparência a outros aloés do norte de África e da Arábia, e o nosso estudo demonstra que está mais estreitamente relacionada com estas últimas, pelo que podemos concluir que teve origem nesta área geográfica.”

fonte: Super Interessante